quarta-feira, 25 de março de 2009

Teismo versus Ateismo

Usando as teorias de Weber, pretendo abordar algumas conclusões lógicas e interessantes, mas antes é necessário conceituar algo.

A sociedade não é algo imutável e incompreensível pelo homem, ela é o que resulta do conjunto de ações sociais. Ação social é a ação na qual o individuo é influencia as ações alheias. Weber classifica essas ações em alguns tipos, mas isso já não é mais de nosso interesse. Tal teoria se demonstra muito eficaz em situações onde a luta de classes não esta diretamente presente.

Um dos trabalhos mais conhecidos deste sociólogo é “A ética protestante e o espírito do capitalismo” e nele é abordado tangencialmente o assunto que pretendo explorar:
O protestantismo, cumprindo seu papel de religião, criou uma nova ética para seus fieis, uma nova filosofia de vida. Influenciados pela religião, os reformistas passaram a acumular riqueza, e a longo prazo essa “filosofia de vida” veio a caracterizar o capitalismo ocidental. Levando isso como exemplo, fica provada a grande importância das religiões como agentes sociais.

Desde a antiguidade crenças são inventadas, devido ou não à luta de classes, para influenciar aos fieis. Numa sociedade onde todos os valores humanos foram extintos ou substituídos pelos valores dos fanatismos e sistemas econômicos, permanecendo, aqueles, vivos quase que somente nos livros de filosofia, a religião torna-se de vital importância. Juntamente às religiões, na atualidade, outro importante agente social é a mídia, esta sim criada em meio à luta de classes, e muito mais a serviço desta.

Observando a sociedade como algo distante de nos e dando atenção a estes agentes sociais pode-se compreender de maneira mais completa nosso mundo. Independente dos motivos é fundamental para a vida do individuo a existência das vontades. Negligenciar a mídia e a religião taxando-as de instituições falidas e sem salvação é abandonar a sociedade à deriva. Este é um forte argumento contra o ateísmo, a maioria das pessoas necessita de um ente esterno que lhe induza as vontades, negar-lhe tal fator é empurra-las para a decadência moral. (Antes de continuar, é necessário me definir como agnóstico.) Ir contra o teismo como ideal é ir contra a ética das massas, durante a historia a religião já se mostrou eficaz, ao contrario da mídia, que durante toda a sua existência nunca se demonstrou um bom agente social.

O cristianismo foi instituído sobre a vida de um revolucionário de idéias similares às marxistas, e atualmente o vaticano considera pecado todas as praticas marxistas. É uma instituição já corrompida e de ideologia destorcida, analisando seus ramos e meandros podemos ver seus efeitos na sociedade, que salvo exceções de alcance local, é algo decadente.

Porém, o poder do teismo é grande e deve sim ser usado, as influencias maquiavélicas e marxistas me levam a dizer que a melhor maneira seria fundindo a religião ao estado autoritário do proletariado, mas isso esta longe de ser uma verdade absoluta, são escolhas que cabem às nações e seus povos.

Deve-se refletir sobre o teismo, não necessariamente ser teista, mas o ódio que existe entre fieis e ateus é algo que não tem porque existir, caso os envolvidos refletissem sobre isso, bem provavelmente as discussões entre esses dois grupos levariam à melhora das instituições religiosas, e não a brigas inúteis sobre um revolucionário ser ou não filho de deus.

(Por: Alessandro Daolio)

3 comentários:

  1. O ato de viver em sociedade é algo natural ao ser humano, mas a sociedade em si não é natural, ela foi criada pelo homem e tudo que é criado pelo homem pode ser modificado.

    Por muito tempo fui taxado como ateu, mas nunca o fui, na verdade sempre fui neo-pagão, o que não me faz ser ateu, já que acredito em Deus, de um modo diferente das outras pessoas, mas acredito.

    Se alguém me perguntar hoje qual minha religião, eu respondo com a ajuda do Orkut: tenho uma vida espiritual independente de religões.

    Aprendi há um bom tempo atrás que todo ser humano precisava acreditar em algo maior que ele para poder ter forças, mas hoje vejo que é besteira, sim, podemos ser fortes acreditando em algo mais concreto: nós mesmos.

    Acreditar em Deus ou não, isso não mudará sua vida, agora, acreditar em você mesmo, isso mudará sua vida, pra melhor, com certeza.

    Hoje vejo o BRASIL com outros olhos, desenvolvi um ar mais crítico com o passar do tempo e vejo que a única solução para nosso povo é a auto-confiança e a força de um povo unido.

    A partir do momento que as pessoas passarem a acreditar nelas mesmas, se unirem por um bem maior, independente de cor, raça e/ou religião, nós brasileiros teremos forças suficientes para lutar contra tudo e contra todos.

    Da mesma forma que os grevistas se unem para alcançar um objetivo, o povo deveria se unir e fazer uma greve nacional, visando a melhora do nosso pais como um todo, tando na área política, quando nas áreas culturais, discriminatórias e várias outras.

    Hoje não acredito que Deus e igrejas, ou partidos políticos irão melhorar a humanidade, apenas acredito que quando todos se unirem por um bem maior, aí as coisas começaram a mudar.

    Sair nas ruas, cantar o hino do povo, rugir a ferocidade da nação, unidos seremos grandes, seremos monstros que destruirão toda a injustiça deste país, visando um melhor futuro para nossos filhos, nem que tenhamos que morrer como mártires.

    LIQNKR.

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  2. Eu sou nacionalista e não vejo o Brasil com a visão comum por aqui, prefiro compara-lo ao resto do mundo, eu vivo aqui por opção, e posso afirmar que aqui é melhor que a Europa, mas este não é o assunto.

    Falamos sobre as sociedades e seus povos, Hitler defendia a superioridade de alguns povos, não acredita na visão ariana da coisa, mas concordo com ele que Alemães, Japoneses e outros são sim superiores, possuem já em sua cultura principios morais e de esforço mutuo para o bem comum, nada a ver com genetica e olhos azuis.

    Povos de paises sub-desenvolvidos não são assim, vide Brasil. Creer em deus de certo não é eficiente como creer em si mesmos para ter forças, mas a crença em algum deus influi no povo de uma nação e lhe da principios que esta ainda não tenha.

    Gosto sempre de exemplificar com os escandinavos, que só são tão evoluidos assim socialmente graças aos principios de seu paganismo arcaico, cujos conceitos foram integrados na cultura, mesmo ele tendo sido destruido arduamente pelos cristãos.

    Enfim, já que falastes de Brasil, não há duvida que se as instituições religiosas de massa aqui no Brasil tivessem ideias diferentes e criassem ideais uteis na cultura da população, o pais seria melhor.

    Como você disse, pode até ser utopico todos se unirem a fim do bem comum, mas para que a civilização rume em direção a isso a religião pode ajudar e muito.

    Portanto creio sim que deuses ainda possam melhorar a humanidade, bem, acho que consegui ser claro...

    Um abraço, Alessandro.

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  3. Achei o assunto interessante. Todavia, o uso da religião como agente social positivo só se teme o julgamento final ou se é ignorante perante o moralismo divino.

    É interessante citar, ainda, que o moralismo religioso é diferente do moralismo do pregador. Os cristão que seguem a Bíblia raramente a conhecem, já que, a exemplo de Mateus 10:34-39

    "Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada. Eu vim para pôr os filhos contra os pais, as filhas contra as mães e as noras contra as sogras. E assim os piores inimigos de uma pessoa serão os seus próprios parentes.

    Quem o seu pai ou sua mãe mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou sua filha mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Não ser para ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Quem procura seus próprios interesses nunca terá a vidade verdadeir; mas quem esuqece a si mesmo, porque é meu seguidor, terá a vida verdadeira."

    Se os cristãos bíblicos realmente conhecessem seu livro sagrado, seu trabalho como agente social não seria considerado "bom".

    O moralismo divino é falho, o meu moralismo é superior ao moralismo de Deus, o meu e o seu. Porque nós julgamos nossos atos devidos

    Alessandro Daolio disse:
    Observando a sociedade como algo distante de nos e dando atenção a estes agentes sociais pode-se compreender de maneira mais completa nosso mundo. Independente dos motivos é fundamental para a vida do individuo a existência das vontades. Negligenciar a mídia e a religião taxando-as de instituições falidas e sem salvação é abandonar a sociedade à deriva. Este é um forte argumento contra o ateísmo, a maioria das pessoas necessita de um ente esterno que lhe induza as vontades, negar-lhe tal fator é empurra-las para a decadência moral. (Antes de continuar, é necessário me definir como agnóstico.) Ir contra o teismo como ideal é ir contra a ética das massas, durante a historia a religião já se mostrou eficaz, ao contrario da mídia, que durante toda a sua existência nunca se demonstrou um bom agente social.

    Eu diria que o agente social mais importante é medo, e depois dele a ignorância. Qualquer outro objeto não seria exatamente um agente, mas um canalizador deles.

    O tópico foi muito bom, mas partiu do pretexto de que a religião é e sempre foi necessária. Mas ela nem sempre existiu, e se não tivesse sido inventada, outra criação tomaria o seu lugar. O fato é que a religião faz muito bem o seu papel.

    Sem mais,
    Felipe Witt.

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