O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou médicos e parentes da menina de 9 anos que sofreu aborto devido ao estupro realizado pelo padrasto.
"O risco existiria até de morte ou de uma sequela definitiva de não poder mais engravidar", informa o médico.
"A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor", argumenta Dom José Cardoso Sobrinho.
"Ela está incluída nos dois (estupro e risco de morte) e, como médico, a gente não pode deixar que uma menina de nove anos seja submetida a sofrimento e até pagar com a própria vida", rebate o médico.
"Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade. A Igreja, então, é muito benévola, quer dizer, sobretudo, com as pessoas de menor. Agora aos adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender", diz o arcebispo.
Poderíamos queimar a Monkeytree se eu fosse expressar a minha opinião sobre as atitudes do bispo e demais. Todos os sites de informações, blogs e afins estão falando sobre isso, mas aqui os macacos dançam diferente. Não interessa à Monkeytree o julgamento do bispo ou dos médicos, o que nos chamou mais a atenção foi a aplicação da excomunhão.
Excomunhão – Sair da comunhão – é o ato de proibir o sacramento e faz parte do Código de direitos Canônicos, sendo considerado uma das mais severas punições a serem aplicadas. Severa?
Judas encontrou as botas, Marlin encontrou Nemo, Coelho Branco chegou ao seu compromisso e eu ainda estou procurando a lógica da excomunhão de infiéis.
Excomungar quem não é cristão é o mesmo que proibir quem não gosta de chocolate a comê-lo. Talvez fizesse algum sentido na época da baixa idade média, onde salvação, fé e providência divina eram as filosofias mais evidentes, ou na reforma protestante em 1517, ambos ambientes em que a vida celestial era mais importante do que a vida terrena, em que a penalidade era aplicada aos fiéis.
Uma pessoa que pratica atos bárbaros, não segue os ideais de uma religião ou apenas não freqüenta a igreja, de maneira geral, não se importam com a excomunhão. Para o agressor – que não foi excomungado, uma vez que estupro não é motivo para uma “punição tão drástica” – ter o sacramento proibido é piada, ele está muito mais preocupado com seu pênis do que com o julgamento imoral de uma divindade, ou de quem diz falar por ela.
Da mesma maneira que os pais da garota estão felizes – e talvez agradecendo a Deus – pela saúde de sua amada filha, por ela estar respirando aos braços dele. Da mesma maneira que os médicos estão felizes por terem um caso seu enfatizado pela bitola episcopal. Nota-se que quem foi excomungado tem algo mais importante a prezar, assim como quem não foi, a excomunhão é um ato nulo.
Parece-me que a excomunhão é uma maneira de amedrontar as pessoas, e neste ponto eu decidi ajudar a Igreja. Parem de excomungar infiéis, eles não se importam com vocês ou suas crenças, essa atitude é uma piada! Seria mais eficaz empalar do que excomungar, porque com a primeira opção vocês impõem respeito, com a segunda vocês são a chacota do mundo moderno.
A terra não é mais plana, e nem mesmo o centro o universo. Acordem, o mundo riu de vocês.
(Por Felipe Witt).
domingo, 15 de março de 2009
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Inicialmente quero parabenizar Felipe e Alessandro pela otima ideia.
ResponderExcluirSobre a excomunhão da moça não a muito o que dizer. Todos não compreendem a logica incerta da igreja.
Quem teve uma atitude mais desumana e imoral, a menina que queria salvar sua vida ou o homem que a estuprou. Quem foi mais pecador?
Porém a igreja diria que Deus é misericordioso a todos os que realmente se arrependem e perdem perdão, mas a pergunta que fica é, quem disse que o Estuprador se arrependeu, ele se confessou? E a garota, se arrependesse do tal "assasinato"?
Infelizmente tudo se resume a pessoas sem bom senso de um humor acido e cinico, pelo menos é assim que eu enxergo uma pessoa que excomunga uma jovem estuprada e perdoa o estuprador não arrependido.
Bom, quem sabe um dia a igreja catolica entenda que deixar comungar não leva ninguem pro inferno. Talvez um dia...