Running Free – Iron Maiden
“Just sixteen, a pickup truck,
Out of money, out of luck.
I've got nowhere to call my own,
Hit the gas, and here I go.
I'm running free yeah, I'm running free.
I'm running free yeah, Oh I'm running free.”
Ser livre é um dos objetivos eternos dos seres humanos, os indivíduos não conhecem a liberdade mas a almejam sempre. Tal conceito não esta presente em nosso plano, cito novamente Platão, o que esta a nosso alcance é uma mera imagem da dita cuja.
Preso em minha cidade do interior, o ápice da minha sensação de liberdade se decorre em noites claras sentado à mesa de algum lugar com vários amigos e colegas, o garçom se aproxima com meu triunfo, começa a anotar os pedidos, e após um eco mecânico de pessoas pedindo uma Coca-Cola, abro as asas de minha liberdade e peço uma Guaraná.
Em nossa realidade ser livre tornou-se poder ser diferente. O direito da individualidade é algo que nasce conosco, mas ao longo de nossas vidas inúmeros são os fatores que nos reprimem a não ter aparência diferente, não ter pensamentos diferentes, não ter sentimentos diferentes.
Tolerar e entender indivíduos singulares a cada pessoa que se conhece é difícil, quando não conflituoso. A fim de se relacionar com facilidade as pessoas se acomodam em modelos pré-definidos e julgam suas vontades de ser diferentes loucuras e delírios infantis. Tal característica retoma as teorias de Marx sobre as classes sociais, os motivos para suas lutas são exatamente suas diferenças. Até mesmo os que preferem ir contra o clichê que é o convívio social e terem sua individualidade acabam se agrupando, pois não são diferentes entre si. Claro que não se pode ignorar a singularidade de opiniões e sentimentos dessas pessoas, nas quais gosto de me incluir.

Vale a pena exemplificar com os roqueiros e suas vertentes, poucas décadas atrás estavam ao estremo do diferente, “sexo, drogas e rock n’ roll”, hoje tais conceitos tornaram-se habituais, grande parte dos jovens burgueses das cidades grandes consumem drogas, ouvem musica eletrônica e bandas como Slipknot se achando roqueiros, e quanto ao sexo, no máximo apelam para prostitutas.
Porém não são eles os roqueiros, os roqueiros mudaram, mas por quê? A norma da sociedade passou a ser similar ao que eles eram, para que continuassem diferentes lhe foi necessária esta mudança, o que lhes importa não é necessariamente as drogas e tudo mais, mas sim, ser diferente!
Eu também prefiro ser diferente no que é possível, mas isso não é ser livre. Talvez seja realmente o máximo do que esta a nosso alcance, mas acreditar que a humanidade alcançou a liberdade na democracia e na pseudocultura ocidental, é enganar-se. Provavelmente a melhor maneira para tatear esse nosso objetivo seja viver isolado, afastados dos demais indivíduos não somos influenciados por ninguém e nossas vontades não precisam ser delimitadas pelo convívio interpessoal.
Abordando, enfim, uma visão mais ampla e admitindo-se a distorção do conceito de liberdade, deve-se contestar os discursos moralistas contra o autoritarismo e culturas fundamentalistas. O ideal de liberdade é um dos pilares fictícios que sustenta não só nossa sociedade, sustenta injustiça e opressão em todo o mundo.
Sendo assim, o que é ser livre?
“Permitam-me palpitar, talvez seja o amar...”
(Por: Alessandro Daolio)