sábado, 21 de março de 2009

A (Des)virtualização do Hedonismo.



"O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa."

Foi com pesar que vi, no Orkut, a virtualização e desvirtualização do hedonismo. É válido afirmar que o conceito de hedonismo sofreu – e sofre – ao longo dos anos uma mutação na interpretação de seu conceito.

Desde Eudoxo até Bentham o hedonismo vem sendo interpretado de diferentes maneiras – e repudiado de muitas outras. Hoje o conceito de hedonismo vem, geralmente, acompanhado da libertinagem e perversão. Fruto de uma juventude covarde que vê no hedonismo uma oportunidade de camuflar seus anseios.

Hoje venho defender o hedonismo. Ele é a devoção aos prazeres através do uso dos sentidos. É agir não pelo prazer, mas pela expectativa de aprimorá-lo. Para o hedonismo o prazer é uma necessidade primordial como nutrir-se, hidratar-se e dormir.

O hedonismo adora tudo que é capaz de relacionar os sentidos. O principal ato hedonista é o sexo, não porque é libertino, mas porque é capaz de envolver, ao mesmo tempo, o maior número de sentidos com a maior intensidade, e ainda dá conteúdo à imaginação.

Visto que um hedonista é, em essência, hedonista, mas não necessariamente busca prazer em todo e qualquer ato, mas se nutri dos atos prazerosos

É necessário, portanto, diferenciar o hedonismo da perversão. O primeiro busca algo prazeroso para completar o seu corpo – e faz isso através dos sentidos -, o segundo busca exclusivamente o sexo para a satisfação momentânea de seu corpo (O hedonista faz sexo casual, o libertino só faz sexo).

O sexo é, e sempre será, o grande exemplo da adoração hedonista. Não porque as aberrações de nossa geração são viciadas em sexo, mas porque ele é capaz de unir – imaginação – tato, visão, audição, olfato e paladar em um único e prolongado momento. A definição perfeita de prazer.

" E circunda-te de rosas, Bebe, Ama e Cala!
O mais, é Nada! "

Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa).

Sexo não é o símbolo do hedonismo, é apenas seu melhor exemplo. Ao compasso do símbolo da perversão, que é uma gozada.

"Prefiro o paraíso pelo clima, o inferno pela companhia".
Mark Twain.

(Por Felipe Witt).

4 comentários:

  1. Gostei do post e passei a conhecer mais o Hedonismo, porém eu estou com uma pergunta.

    Por exemplo, se eu sinto ao comer um bom biscoito caseiro a textura, seu cheiro e seu gosto e pensar comigo mesmo que quero sentir este prazer do melhor jeito possivel eu posso considerar está atitude Hedonista?

    Obrigado e Até!

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  2. Sim, essa é uma atitude hedonista.

    Eu foquei o tópico no sexo porque meu objetivo era comparar a perversão com o hedonismo, o principal engano para com o conceito.

    Em resumo, o hedonista procura, através dos sentidos, aproveitar ao máximo os momentos. Se ao comer um biscoito você vai além do mastigar mecânico e se "relaciona" com o cheiro, o gosto, a textura, a forma, isto é uma atitude hedonista.

    Ter atitudes hedonista não significa você ser um, claro.

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  3. Tanto é que até nosso querido Dionísio, ou devo dizer Baco, tornou-se símbolo da promiscuidade e perversidade nos ditos "bacanais". Muitos veem (eu adorava escrever com acento) isso como algo maléfico, quando na verdade é apenas algo para gerar prazer.

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  4. Gostaria de saber se beber cerveja ao som de um violão e fumar maconha com as pessoas com as quais você mais gosta pode ser uma forma de hedonismo? Sera que pessoas que estão em um barzinho de rock da periferia podem ser consideradas hedonistas? Pois não sei se é paranoia minha de psicótico as vezes tenho uma estranha sensação de que lugares onde a classe média frequenta como barzinhos e danceterias da Vila Madalena, também condominios residenciais de apartamentos, cidades do interior paulista onde a maioria são eurodescendentes e instituições de ensino elitistas como o Mackenzie e a FAAP podem ser muito mais um verdadeiro antro de perversão do que saunas gays, prostibulos ou casas de swing. Eu poderia estar errado em relação a tudo isso que eu disse?

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