quarta-feira, 1 de abril de 2009

Liberdade e Nós, seus Algozes



Running Free – Iron Maiden

“Just sixteen, a pickup truck,
Out of money, out of luck.
I've got nowhere to call my own,
Hit the gas, and here I go.

I'm running free yeah, I'm running free.
I'm running free yeah, Oh I'm running free.”



Ser livre é um dos objetivos eternos dos seres humanos, os indivíduos não conhecem a liberdade mas a almejam sempre. Tal conceito não esta presente em nosso plano, cito novamente Platão, o que esta a nosso alcance é uma mera imagem da dita cuja.

Preso em minha cidade do interior, o ápice da minha sensação de liberdade se decorre em noites claras sentado à mesa de algum lugar com vários amigos e colegas, o garçom se aproxima com meu triunfo, começa a anotar os pedidos, e após um eco mecânico de pessoas pedindo uma Coca-Cola, abro as asas de minha liberdade e peço uma Guaraná.

Em nossa realidade ser livre tornou-se poder ser diferente. O direito da individualidade é algo que nasce conosco, mas ao longo de nossas vidas inúmeros são os fatores que nos reprimem a não ter aparência diferente, não ter pensamentos diferentes, não ter sentimentos diferentes.

Tolerar e entender indivíduos singulares a cada pessoa que se conhece é difícil, quando não conflituoso. A fim de se relacionar com facilidade as pessoas se acomodam em modelos pré-definidos e julgam suas vontades de ser diferentes loucuras e delírios infantis. Tal característica retoma as teorias de Marx sobre as classes sociais, os motivos para suas lutas são exatamente suas diferenças. Até mesmo os que preferem ir contra o clichê que é o convívio social e terem sua individualidade acabam se agrupando, pois não são diferentes entre si. Claro que não se pode ignorar a singularidade de opiniões e sentimentos dessas pessoas, nas quais gosto de me incluir.


Vale a pena exemplificar com os roqueiros e suas vertentes, poucas décadas atrás estavam ao estremo do diferente, “sexo, drogas e rock n’ roll”, hoje tais conceitos tornaram-se habituais, grande parte dos jovens burgueses das cidades grandes consumem drogas, ouvem musica eletrônica e bandas como Slipknot se achando roqueiros, e quanto ao sexo, no máximo apelam para prostitutas.

Porém não são eles os roqueiros, os roqueiros mudaram, mas por quê? A norma da sociedade passou a ser similar ao que eles eram, para que continuassem diferentes lhe foi necessária esta mudança, o que lhes importa não é necessariamente as drogas e tudo mais, mas sim, ser diferente!

Eu também prefiro ser diferente no que é possível, mas isso não é ser livre. Talvez seja realmente o máximo do que esta a nosso alcance, mas acreditar que a humanidade alcançou a liberdade na democracia e na pseudocultura ocidental, é enganar-se. Provavelmente a melhor maneira para tatear esse nosso objetivo seja viver isolado, afastados dos demais indivíduos não somos influenciados por ninguém e nossas vontades não precisam ser delimitadas pelo convívio interpessoal.

Abordando, enfim, uma visão mais ampla e admitindo-se a distorção do conceito de liberdade, deve-se contestar os discursos moralistas contra o autoritarismo e culturas fundamentalistas. O ideal de liberdade é um dos pilares fictícios que sustenta não só nossa sociedade, sustenta injustiça e opressão em todo o mundo.

Sendo assim, o que é ser livre?

“Permitam-me palpitar, talvez seja o amar...”


(Por: Alessandro Daolio)

9 comentários:

  1. Otimo texto, gosto de comentar sobre este tipo de coisa, porém eu tenho uma pequena coisa a acrescentar.

    Em Manaus dificilmente se encontra pessoas que não gostam de culturas Pop, menos ainda aqueles que realmente não gostam.

    Não só em Manaus como em qualquer parte do mundo (com raras ecxeções)existe algumas pessoas que por quererem ser diferentes deixam de ouvir musicas, agir de tal forma, não usar tal roupa para tentar se dizer diferente ou então intelectual.

    Ser diferente não é deixar de ser o que você é pra se tornar algo diferente, pra ser aceito em outro grupo. É como o Alessandro disse:

    "Provavelmente a melhor maneira para tatear esse nosso objetivo seja viver isolado, afastados dos demais indivíduos não somos influenciados por ninguém e nossas vontades não precisam ser delimitadas pelo convívio interpessoal."

    Acho que ser livre é ser diferente, ser diferente é ser você mesmo, sem ser "influenciado" por mais ninguem.

    Então:
    SEJA VOCÊ MESMO!

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  2. Realmente não somos tão livre assim, não podemos entrar naquela mansão quando queremos, não podemos andar pelado pela rua, não podemos roubar um carro e sair ilesos. Realmente não somos tão livres assim.

    Gostei muito do texto, parabéns.

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  3. Quem fala o que quer, ouve o que não quer.

    A racionalidade anula a liberdade, a capacidade que você tem em pensar na conseqüência dos teus atos te faz preso aos próprios valores - sejam eles próprios ou gerais.

    A liberdade é conseqüência da irracionalidade, o mais inferior dos vermes é mais livre que qualquer ser humano.

    Se eu não posso viver a liberdade, viverei os meus atos.

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  4. Tens razão, Felipe... a irracionalidade é um dos pre-requisistos, com certeza, para ser livre...

    Mas eu ainda pretendo abandonar minha racionalidade e sair pelo mundo para tentar ser livre... apenas estou aguardando o momento mais propicio... creio fielmente que valha a pena!

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  5. acho que o conceito de liberdade é poder tomar decições que quiser sem a influencia de ninguém, no entanto nunca seremos livres vivendo com pessoas pois somos influenciadas por elas e teremos sempre um leque limitado de opções de decisões

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  6. Não conhecia seu lado Filosófo Italiano.
    Mas seus argumentos procedem, ser diferente da maneira que seja de modo que você acabe por fugir muito dos padrões estabelecidos e que imperam ao seu redor gera uma espécie de "xacota", na qual você é escrachado com objetivo de se adequar aos demais e deixar de ser diferente. Mas ser sigular, incomum é uma das coisas que não tem preço. Cito como exemplo uma situação que eu e um amigo e tantos outros passam em festas em que vão com amigos que bebem. No meu caso como não bebo em demasia tenho q aturar falando em minha orelha só porque estou fugindo do padrão. Mas disso não abro mão. E não pretendo abrir tão cedo, porque estarei abrindo mão de algo marcante na minha personalidade: a sobriedade.
    ehehehehhehehehehe

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  7. Abandonar a racionalidade e sair pelo mundo para tentar ser livre, Xela? Impossível. Impossível ser livre hoje. Mas concordo que valeria a pena. Pena que para sair pelo mundo é preciso dinheiro, o que já aponta o maior revés para ser livre.
    O homem reprime seu instinto. Ao reprimi-lo, cria a civilização. Isso tira a liberdade do ser humano.

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  8. Prefiro ser racional a ser livre. Não troco um belo quebra-cabeças pela possibilidade de atitudes sem revés. A racionalidade, para mim, é tudo.

    Através da racionalidade você é capaz de se desenvolver. A partir do desenvolvimento você atinge a excelência e quando você é o melhor no que faz não importa como você faz, importa apenas que você alcança seus objetivos e, portanto, você está acima das moralidades pitorescas da sociedade. E então você simula a liberdade.

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  9. Como eu imaginava, cada um tem sua ideia de como é ou de como seria ser livre!

    Qto ao direito a sobriedade, ficar alegre não faz mal a ninguem!!!!

    Meu maior dilema ainda é decidir se os sentimentos limitam ou aumentam a liberdade... os relacionamentos de certo prendem as pessoas despreparadas, mas os sentimentos não tem nada a ver com isso...

    Racionalidade? Não é para mim... me sentiria preso a meus proprios principios, mas talvez fosse suficiente altera-los, o problema maior é aguentar tanta frieza...

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